A Elegância e a Ética

As verdadeiras elegância e beleza começam no interior de cada um. Qualquer pessoa pode usar vestes sofisticadas e adereços caros, mas quantos são realmente elegantes?

Curioso é que, tanto nos filmes americanos como no noticiário da política brasileira, geralmente os acusados vão trajados com esmero para o banco dos réus. Procuram com isso, impressionar positivamente quem os julga ou acompanha o noticiário.

Nunca se ouviu falar, no entanto, que alguém tenha sido absolvido pela gravata de grife ou por um colar de diamantes.

O resultado, mesmo numa justiça nem sempre socialmente isenta, costuma refletir a relação do acusado com as leis possivelmente transgredidas. Ou seja, sua condição real e não a sua aparência.

A ética é uma palavra antiga, que pode ser definida como a conduta do ser humano visando o bem comum.

Para Aristóteles, estava voltada à procura da virtude, caminho para tornar as pessoas mais elegantes e felizes.

A busca da felicidade, diz a sabedoria popular, é o desafio mais importante da vida. Invertendo a frase do grande poeta Fernando Pessoa: nada vale a pena se a alma é pequena. Alma pequena é alma deselegante, infeliz, a verdadeira e única alma penada.

Sem dúvida um comportamento ético, na vida pessoal, na política ou nos negócios nos aproxima da felicidade.

Uma conduta antiética nem sempre é ilegal, mas sempre é mal vista. Pelos outros ou, no mínimo, por si mesmo.

No momento em que a política e a sociedade no Brasil parecem mergulhadas no fundo do poço da falta de ética; no instante em que parece imperar a lei de tentar levar vantagem em tudo; exatamente agora, as pessoas começam a perceber que a ética não é apenas um atributo da moral mas um caminho para o bem viver.

Para cobrar ética dos outros, principalmente dos políticos, que deviam se comportar como gestores do bem comum, é preciso, antes de tudo, praticar a ética.

Sem ela, instala-se o cada um por si, o salve-se quem puder. E há milênios a humanidade sabe que essa não é a melhor rota para a felicidade.

A ética precisa voltar à moda.

Para que cada um, bem vestido e bem cuidado, possa se olhar no espelho e dizer: “Sou feliz, elegante e estou na moda”

José Nivaldo Junior – Publicitário e escritor. Da Academia Pernambucana de Letras.

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