A origem do povoado de Gonçalves Ferreira

Na época da construção das Estradas de Ferro, afora as estações nas cidades, eram edificadas outras de menor porte, em distâncias adequadas, a fim de possibilitar paradas para o trem “beber água”

Essas pequenas estações chamadas de Estações de Passagem, com o andar dos anos deram origem à formação de pequenas aglomerações urbanas, como foi o caso do Povoado de Gonçalves Ferreira.

O nome escolhido para essa estação ferroviária, inaugurada em 1895, e consequentemente para o povoado que se formou no seu entorno, foi uma homenagem ao coronel da Guarda Nacional Antônio Gonçalves Ferreira (1846 – 1931), na época, Ministro da Justiça e Negócios Interiores do Governo do Presidente Prudente de Morais,

Dr. Gonçalves Ferreira, era pernambucano de Recife, formado em direito pela faculdade de Recife, de onde, mais tarde, seria também professor. Atuou como delegado de polícia, curador de órfãos e promotor público na cidade do Recife e, chefe de seção da Secretaria do Governo Estadual.

Politicamente, era ligado ao Conselheiro Rosa e Silva, foi deputado e senador por Pernambuco por vários mandatos, além de governador de Minas Gerais de 1888 a 1889 e de Pernambuco entre 1900 e 1904.

ANTÔNIO GONÇALVES FERREIRA

Por outro lado, no dia 11 de agosto de 1896, conforme escritura na cúria diocesana, o senhor Severino José da Silva e sua esposa Maria Joaquina do Espírito Santo fizeram doação de sessenta e seis braças de terras do sítio Umburanas, para construção da capela do povoado que começava a se formar em torno da estação ferroviária.

A pedra fundamental dessa igrejinha recebeu a bênção do padre Luiz Gonzaga da Silva, na época coadjutor do vigário Antônio Freire de Carvalho. A capela de São Pedro, santo padroeiro do Povoado de Gonçalves Ferreira, foi inaugurada no dia 12 dezembro de 1900 pelo bispo de Olinda, na época, chefe religioso do estado, Dom Manuel dos Santos Pereira. Durante os festejos, foi apresentada a imagem de São Pedro, talhada em madeira local, por um artista francês.

 

Na cronologia, essa igreja é a quarta ou sexta mais antiga de Caruaru, sendo superada somente pela igreja de Nossa Senhora da Conceição de 1782, pela primitiva catedral de Nossa Senhora das Dores de 1848, pela capelinha do cemitério de São Roque de 1879, e talvez pelas igrejinhas de São João Baptista situada na Avenida Leão Dourado (na época conhecida apenas como Sítio) e pela primitiva igrejinha de Nossa Senhora da Conceição no Povoado de Pau Santo, essas duas últimas vindas provavelmente da última década do século XIX. Quando da sua inauguração, a capela possuía apenas a torre do lado esquerdo, das duas hoje existentes, como pode ser observado na foto da matéria.

Hélio Fernando de Vasconcelos Florêncio

Engenheiro civil. Pesquisador e historiador.

1 Comment on "A origem do povoado de Gonçalves Ferreira"

  1. Sempre um prazer receber seu material, ainda mais, quando se trata da nossa história, contada com a credibilidade de Hélio Florêncio. Trovabraço.

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