A Sacralidade Cultural de Caruaru

Caruaru é uma cidade dinâmica sob vários ângulos. Destaque como polo de medicina, informática, confecções e comercial – entre outros – em sua efervescência comercial, nem sempre as pessoas se dão conta do que a paisagem nos oferta na capital do agreste: pontos turísticos excelentes. Relacionamos quatro deles que conhecemos e indicamos.

Começando por aquele que mais privilegia a natureza, temos o parque Vasconcelos Sobrinho, pouco conhecido por esse nome, popularmente denominado Serra dos Cavalos. O acesso se dá por estrada asfaltada, a partir de um atalho na BR 104. É uma reserva de mata atlântica, com 395 hectares, dispõe de trilhas que se estendem de 1 a 12 km dentro do parque, preserva árvores seculares, belíssimas vistas panorâmicas e ruínas de importância histórico-cultural. O primeiro açude que forneceu água para Caruaru faz parte natural da área. E a beleza da altitude, que permite uma visão no ângulo que os deuses do olimpo enxergam nossa cidade. Um capricho da mãe natureza em parceria com a topografia.

Há poucos quilômetros da referida área, temos o Alto do Moura, bairro que se caracteriza como um dos mais importantes centros de produção artesanal do país, espaço no qual residiu o famoso mestre Vitalino e seus primeiros discípulos, gente da grandeza de Manoel Eudócio, Elias, Galdino, Luiz Antonio, bem como D. Celestina (primeira artesã do barro) e outros valiosos nomes da arte popular. Hoje nos preocupa a especulação imobiliária na área, que pode comprometer a sacralidade cultural do espaço. Com recente reforma, o bairro foi equipado para melhor receber visitantes em dezenas de ateliês, e ainda acolhendo a todos com uma proposta gastronômica da melhor qualidade, como dizem os anfitriões: é de lamber os beiços!

Um outro ponto de destaque tem a raiz histórica mais profunda de Caruaru: a nossa grandiosa feira, reconhecida como Patrimônio Imaterial e Cultural brasileiro. Aliás, feira em Caruaru não pode ser grafada no singular, afinal oficialmente catalogadas temos 22 feiras! Se vende de tudo nesses espaços. Uma dica especial é a Feira de Artesanato compositor Onildo Almeida, nas margens do rio Ipojuca e área central da cidade. Integrado ao polo gastronômico regional, uma visita mostra a todos a diversidade de cultura brasileira, em forma de palha, ferro, aço, barro, madeira, papel, tecidos e demais matérias primas que se transformam em arte nas mãos de nossa gente.

Por fim, a grandeza vertical do morro do Bom Jesus. Antes dessa denominação, foi conhecido como morro do Socorro e da Onça. Independente da sigla, é um espaço excelente, com 630 metros de altitude, na área central da cidade, com acesso por escadaria ou também veicular. Recentemente revitalizado e humanizado, retomou a proposta de primoroso local para lazer, cultura, produção fotográfica, degustação culinária e apreciar a paisagem num ângulo de 360 graus, como costumo dizer, a perspectiva pela qual os deuses assistem o nosso cotidiano caruaruense. De múltiplos ângulos, cores, formas, cheiros e sabores, eis a identidade da princesa do agreste, o nosso país de Caruaru!

José Urbano
Prof. de história, palestrante, cordelista, radialista, técnico em educação. @joseurbano_

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