Apelidos e Pseudônimos

Raras são as famílias onde ninguém tem apelidos; costumeiramente no Nordeste acrescenta-se, carinhosamente um “inha” ou “inho” aos substantivos próprios ou comuns: “mainha” “painho” “Fulaninho” e por aí vai. Tanto na Escola como no Trabalho é fatal adotarem apelidos, ora engraçados, ora pra chatear mesmo o indivíduo e quanto mais insistir em não aceitar, mais pega direitinho.

Os pseudônimos são utilizados por vários motivos, especialmente como nome suposto em obras literárias e são escolhidos pelos autores de bom grado.

Durante o século XV e XVI por incrível que pareça, as mulheres que desejavam ter seus textos publicados, quer fossem crônicas, contos, poemas, etc. adotavam alcunhas masculinas porque a sociedade não aceitava tamanha ousadia e essa prática continuou fortemente até o início do século XX. Isso acontecia em todo o mundo.

Mary Ann Evans era George Eliot ao se aventurar com seus trabalhos de ficção. Já George Sand era a francesa Amantine Dupin, que escrevia contos de amor e sobre diferença de classe, criticando as normas sociais; também escreveu sobre política e suas peças eram encenadas em um teatro particular.

“Naquela época, uma mulher que tinha atividades intelectuais estava cometendo transgressão” disse Sandra Vasconcelos, professora titular de Literatura da USP.

No Brasil, muitas escritoras usavam o mesmo recurso para se projetar, até mesmo optar pelo trabalho anônimo pra conseguir publicação e se proteger da opinião pública. Uma delas é Maria Firmina dos Reis, autora do romance: ”Úrsula” (em 1859), considerado como primeira obra abolicionista da Literatura brasileira.

Todavia muitos homens também se utilizaram de pseudônimos por outras razões; nosso admirável escritor e historiador Nelson Barbalho, passou um tempo escrevendo sob a alcunha de Cavalcante do Norte e foi descoberto pelo saudoso jornalista Antônio Miranda. Julinho de Adelaide era o nome falso de Chico Buarque na época da ditadura em nosso país.

Lembro ainda da compositora carioca Francisca Edwiges Neves Gonzaga (1847), apelidada Chiquinha Gonzaga que se vestia de homem para poder se apresentar nos shows noturnos do Rio de Janeiro, anonimamente. Era neta de escrava, mas tornou-se a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil (Maestrina) e uma das maiores influências da MPB. Com mais de 200 obras musicais e peças teatrais cito a famosa “Ó abre alas”.

No meu caso, o apelido caseiro virou pseudônimo por se identificar comigo e também é nome de creche nesta cidade: Creche Tia Malude (Lions Clube de Caruaru).

Malude Maciel
Membro do Lioness Clube de Caruaru e da ACACCIL – Cadeira 15 – Profa. Sinhazinha.

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