As Novas Medidas do Empreendedorismo

Em busca de novos conceitos empreendedores, a revista Moda e Negócios entrevista nesta edição, a Consultora Verônica Ribeiro, especializada em gestão de projetos e economia criativa, para falar sobre o perfil do novo empreendedorismo e os desafios de integrar o Parque Municipal florestal Professor João Vasconcelos Sobrinho como um santuário agreste. Reconhecido pela Unesco, como de elevado valor ambiental, é lá que estão localizados os três principais açudes de Caruaru, abastecendo toda a região do Murici e seu cinturão verde com uma fauna e flora valiosa para as economias futuras. Protegida por lei desde 1938, a reserva ainda sofre com a degradação e impactos humanos, segundo Verônica, que integra a equipe de revisão do Plano de Manejo, contratado pelo PRODETUR.

Previsto para os próximos cinco anos, está sendo construído de forma inovadora, com a participação da comunidade, através de um conselho gestor formado em 50% pelo poder público e 50% pela sociedade civil, bem como o setor produtivo, turismo e novos negócios. Um instrumento fundamental para uso e desenvolvimento dessa região, em nova perspectiva, a da sustentabilidade . A ação não acontece de forma isolada, também compreende os municípios de Bezerros e Bonito, como um grande elo de turismo educacional e científico além de gastronomia, moda e outros caminhos que agreguem valor, explica.

Não é de hoje que Verônica Ribeiro se destaca em iniciativas grandiosas, a exemplo do Museu Cais do Sertão, o Marco Pernambucano da Moda e agora, compondo a equipe do consórcio PROCESSO ENGENHARIA E CEPAN, o Plano de Manejo do parque ecológico. Seus desafios vão além de planos burocráticos. Para Verônica, também só- cia presidente da Comnecta, empresa especializada em novas economias, o Polo Agreste precisa despertar para novos modelos que integrem as pessoas, o planeta e os resultados como principais elos de qualquer desenvolvimento sustentável. Para quem ainda acredita que tecnologia e patrimônios físicos são os principais ativos da empresa, está enganado. Os novos modelos de sucesso procuram valorizar seu capital humano como principal patrimônio, afirma. Sustentabilidade é uma palavra que precisa ser constantemente interpretada, pois a cada movimento econômico e desenvolvimento humano local, as relações mudam e exigem novos paradigmas.

Revista Moda & Negócios:

1 – Quais os tipos de modelo de negócio que você destacaria como base para uma compreensão do cenário de desenvolvimento hoje?

Verônica Ribeiro: A priori podemos destacar a Economia Solidária caracterizada pelas relações com os pares (divisão de resultados equitativos entre consumidores e produtores); A Economia de Comunhão: quando o combate a miséria do mundo é a principal moeda e a Economia Criativa, onde o valor, o conceito e o local criam produtos únicos para o planeta e todos os três caminhos atuam sob o olhar da sustentabilidade que propõe o princípio da equidade, ou seja, a igualdade de condições competitivas e de sobrevivência. Na década de 50, esses conceitos não eram difundidos em virtude dos recursos naturais abundantes. Hoje, essa realidade aponta para novos cenários.E Daqui a 50 anos!? Como seremos?

2 – M & N: Como se identifica uma economia sustentável equânime?

VR: Antigamente se falava apenas do PIB – Produto Interno Bruto. Hoje, procuramos identificar o FIB – Felicidade Interna Bruta, que representa a felicidade pública. Um trocadilho que enfatiza que são as pessoas que refletem o verdadeiro desenvolvimento de uma economia. Não precisamos de “muito” e sim de algo “melhor”.

3 – M & N: Como a moda pode dialogar com esse novo cenário de desenvolvimento criativo?

VR: A moda é a chave para essa nova economia integrada, principalmente no eixo agreste. Quando falamos de moda, não nos limitamos à roupa e sim ao fenômeno do “desejo”. Essa centelha que desperta é capaz de agregar valor, potencializar identidade, aquecer a economia do consumo através de produtos diferenciados e novas tecnologias aplicadas. Produtos com controle de temperatura , tecidos com origem de reciclados, estamparias inspiradas na natureza preservada , podem ser os grandes diferenciais para o Agreste .

4 – M & N: O que os empresários precisam despertar para um novo posicionamento empreendedor?

VR: Nenhum negócio é isolado. Todos os modelos fazem parte de uma cadeia produtiva. Quanto mais se conhece a cadeia, mais possibilidades de bons negócios, com base no conhecimento da jusante: (quem vem antes do produto principal, fornecedores) e ( a montante: que é quem vem depois da minha cadeia produtiva, o cliente). Essa compreensão de quem está antes e quem está depois da sua empresa, integra os potenciais de forma mais econômica e inteligente. Outras economias existem e fazem a diferença – Criar em tempo de crise pode ser a saída mais estratégica. A Comnecta – empresa criada para consultoria com foco nas pessoas , propõe novas modelagens de negócios onde o foco é a pessoa. Propõe rediscutir o conceito de lucro e redefine princípios e valores para a NOVA ECONOMIA, a colaboração e a circulação de bens entre fornecedores de uma mesma cadeia podem diferenciar o seu produto.

5 – M & N: Quais os aspectos mais relevantes que definem as mudanças necessárias?

VR: Não temos mais recursos naturais abundantes. A globalização nos traz bons concorrentes de muito longe. A consciência das pessoas exigem mais das empresas. É fundamental olhar a sua cadeia produtiva e promover diálogo com inovações em processos e em gestão. Formar parcerias. Em tempos de crise , dinheiro não é TUDO !

Verônica Ribeiro é Sócia dirigente da Comnecta, Consultora da AMUPE em Empreendedorismo público e privado, Embaixadora da escola de Você em parceria com Ana Paula Padrão para empreendedorismo feminino.

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