Campanha política na pandemia

Estamos vivendo os primeiros passos da mais estranha campanha eleitoral desde pelo menos 1945.

Primeiro, a nossa geração nunca viveu uma pandemia. Ninguém tem qualquer referência sobre como o eleitorado vai reagir a uma campanha utilizando basicamente as mídias eletrônicas e os recursos digitais. A experiência vitoriosa de Bolsonaro, que usou e abusou dos recursos das redes sociais não pode ser simplesmente replicado nas eleições municipais. Existem peculiaridades que certamente vão influenciar as mensagens e os meios.

FALTA CLAREZA

O eleitor não é idiota, como muitos candidatos ou “formadores de opiniao” pensam. Ele sabe o que quer, entende como ninguém os seus próprios  problemas e necessidades. E não vai na onda de nenhum  candidato simplesmente por ir.

O eleitor é um ente pragmático. Escolhe e vota no (a) candidato (a) que é melhor para ele e sua família. Ponto. Fora disso, qualquer um calça 40.

VOTO IDEOLÓGICO

Ao contrário da classe média que pensa que tem mas passa longe, o povo tem ideologia. Uma ideologia pragmática,  como foi dito.  O povão está  sempre disposto a levar adiante as suas propostas sociais. Essa decisão enfrenta sempre uma encruzilhada, que a população apreende com mais precisão e eficácia do que analistas de televisão e jornal e  historiadores de gabinete. Existem possibilidades objetivas de mudanças profundas na ordem social? O povo se joga na luta, arrisca sua segurança e a própria vida. A opção é entre candidatos que na prática não vão promover nenhuma mudança substancial nem apresentam propostas que repercutem de modo diferente na vida dá comunidade? Não esperem outro resultado. As pessoas  votam em quem tem mais chance de melhorar a sua própria vida.

VALE TUDO

Nesse melhorar a vida cabe tudo. Algumas contas de luz atrasadas. Uns tijolinhos para ampliar o puxadinho. Uma meizinha para dor de dente. A promessa de calçar a rua ou, quem sabe, um empreguinho na Prefeitura?

Muitos dizem que a culpa dos políticos que temos é do eleitorado.  Há controvérsias. Se os partidos são incapazes de apresentar ao votante opções reais, não podem esperar que os eleitores as criem.

Simples assim.

E A PANDEMIA?

Bem, todo mundo na campanha vai fazer de contas que está cumprindo as regras do distanciamento social.  Todos os candidatos vão utilizar com maior ou menor eficiência as redes sociais.

Mas duvido que um só candidato ou candidata, do Oiapoque ao Chuí, recuse o abraço de um eleitor apaixonado.

José Nivaldo Junior
Publicitário. Consultor. Da Academia Pernambucana de Letras.

1 Comment on "Campanha política na pandemia"

  1. Excelente comentário. Muitos candidatos ainda não entenderam o seguinte: a grande diferença entre a candidatura local e a nacional: é certo que as redes sócias ajudarão mas, nao resolverão nada.

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