Carnaval, origens e significados da folia universal

A mais popular e democrática festividade celebrada no Brasil, tem a sua origem em tempos longínquos, em terras muito distantes também.
O Carnaval surge na história, em séculos anteriores ao Cristianismo, há quase 3.000 anos.  O termo tem duas origens: para os gregos, a palavra
é a soma dos termos carros+navais, embarcações utilizadas para levar as pessoas durante as festividades, entre as diversas ilhas do arquipélago.
Já os romanos importaram a festividade, porém deram um outro significado à palavra, somando carnes + valis, ou “desejos carnais” ritual onde
são liberados todos os pudores morais, inclusive a prática de excessos em bebidas, sexo  e alimentação.  Os personagens são retratados a partir de
uma corte real: O Rei Momo, o dono do evento, esbanjando alegrias em seu volumoso corpo, muito bem alimentado. Ao lado dele, a bela Rainha do Carnaval.
O Arlequim – o palhaço sempre triste – que disputa com o Pierrot  os carinhos da amada Colombina,  que distribui bom humor e sensualidade por onde passa.
E as máscaras?  surgem da necessidade de manter a democracia entre os animados foliões, que mascarados, podem ocultar a sua identidade social,
entregando-se ainda aos prazeres do sexo, numa parceria entre um Senhor e sua escrava, que cobertos os rostos, não guardariam nenhum sentimento de
culpa após o encerramento do ciclo carnavalesco.  Podemos considerar que o animado evento chega ao Brasil em 1808, quando a corte real de Portugal,
D. João VI e a nobre família, passam por Salvador e se estabelecem no Rio de Janeiro, cidade que até hoje ostenta o título do maior Carnaval do mundo.
Naquela cidade, foi feita a primeira gravação de um samba – no ano de 1917 – intitulado Pelo Telephone, interpretado por Donga, seu compositor.  No
Rio nasceu também Escolas de Samba, em razão da batucada do frenético ritmo ser em praças, em frente a algumas escolas cariocas.  Pernambuco deu
uma extraordinária contribuição, pois aqui nasceu o Frevo, melodia, arranjos e passos genuinamente nosso.  Isso sem esquecer o que eu denomino a “Santíssima
Trindade do Frevo” respectivamente os compositores Lourenço da Fonseca Barbosa (Capiba), o maestro Nelson Ferreira e o Claudionor Germano, o maior
interprete do ritmo, em todos os tempos.

Em 1977, seu Enéas cria o Galo da Madrugada, que se torna o maior Bloco de Carnaval do Mundo.  No trade
turístico nacional, temos um alinhamento das cidades que se propõem a fazer do carnaval brasileiro, o maior espetáculo da terra: o Rio de Janeiro, com o
desfile das Escolas de Samba; Salvador, com o desfile de trios elétricos e a sonoridade do axé; Recife e Olinda, com a magia do Frevo e o multicolorido
musical interpretado por anônimos ou famosos, como Almir Rouche e  Alceu Valença e sua alquimia sonora. Ainda em Pernambuco, Maracatu, Caboclinhos, Bumba Meu Boi,
devotos da Umbanda, Ariano Suassuna, a Mulher da Sombrinha, o Homem da Meia Noite e tantos outros personagens fazem toda a diferença.
Na chegada da Quarta Feira de Cinzas, como se queimando todos os
“pecados” cometidos, tem fim o ritual, dando início  ao
período de 40 dias de penitências e jejuns,  para a celebração da Páscoa, a mais importante festa do Cristianismo…mais aí já é uma outra história.
“Ô abre alas que eu quero passar” junto com a alegria e esperanças de um ano em construção da tão decantada felicidade.  Viva a fantasia, viva a Cultura,
Viva o Carnaval.

Prof. José Urbano – Técnico em Educação da UFPE. Membro da ACACCIL

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