CARNAVAL, símbolo de nossa alegria.

Ó abre alas, que eu quero passar/ Eu sou da lira não posso negar / Rosa de Ouro é quem vai ganhar”. Que legado deixou-nos Chiquinha Gonzaga, marcha essa que se tornou “música-símbolo” do carnaval brasileiro.

Um simples sobrevoo por esses nossos Brasis basta para que possamos afirmar fato incontestável: o Brasil é realmente um país pródigo em festas e celebrações, haja vista o nosso festivo calendário anual. Festas de toda sorte, sagradas, profanas ou nos mais diversos formatos decorrentes. De pequeno, médio e grande porte, traduzem as mais diversas formas de expressão da nossa cultural popular.

Vejamos as olimpíadas de 2016 em que o mundo assistiu e enalteceu as cerimônias de abertura e de encerramento. Entre centenas de manchetes da imprensa estrangeira, optamos por destacar estas: Washington Post – “Este é um país especialista em folia, que todos os anos enche suas ruas com uma alegria inebriada”. Portal da BBC – “Festa que teve como inspiração o Carnaval foi espetacular”. O Telegraph – “É como se alguém tivesse apertado o botão e ligado as pessoas. De repente, tudo é esplêndido”.

Nesse calendário festivo brasileiro, então, insere-se o carnaval que se inicia no domingo, quarenta e sete dias após a Páscoa e encerra-se na quarta-feira, “de Cinzas”. Nesse dia, os foliões tomam, como se diz, a saideira e se despedem do carnaval, ainda hoje, ao som do célebre frevo de Luiz Bandeira (Quarta Feira Ingrata): “É de fazer chorar / quando o dia amanhece / e obriga o frevo acabar / ó quarta-feira ingrata / chega tão depressa / só pra contrariar / quem é de fato / um bom pernambucano / espera um ano / e se mete na brincadeira / esquece tudo / quando cai no frevo/ e no melhor da festa / chega a quarta-feira”. Esses versos retratam de maneira magistral a paixão do pernambucano pela folia de Momo.

Ah! Meu carnaval de rua. Não importa tua origem, nasceste do antigo Entrudo português, mas aqui encontraste as condições favoráveis para fincar o pé nessa terra de miscigenação irrestrita. Não, nada importa, nem o tempo nem mesmo como viveste em tempos áureos e nem como vives no presente. Continuas a embriagar de alegria teus foliões na maioria das cidades brasileiras.

Entretanto, hoje, em nossa Caruaru, essa festa carnavalesca agoniza. Aqui mesmo, onde nos idos de 1960-70 havia um dos melhores carnavais do interior pernambucano. Era uma das maiores festas da cidade, competindo com a festa do Comércio (no fim do ano) e com a do São João, todas festas tradicionais da comunidade.

No entanto, em vez de assistirmos a sua completa anulação, acreditemos na capacidade de resiliência e abram alas para o Carnaval passar, não como um retorno ao passado, mas revestido de novas dinâmicas, de novas lógicas. Sim, sobretudo por reivindicar a permanência das tradições da cultura popular em nossa cidade. Já o estudioso russo Mikhail Bakhtin pontuava: “os festejos carnavalescos são uma das formas de ritos e espetáculos que compõem as múltiplas manifestações da cultura popular”.

É exatamente na expectativa de remediar essa situação que a Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras em suas reuniões têm trazido à tona a temática “Carnaval em Caruaru”, suscitado em primeira mão pelo nobre confrade José Severino do Carmo.

Então, fica a interrogação: será que o carnaval não tem mais espaço em nossa cidade? Não será possível tomar como exemplo o Rio de Janeiro com o ressurgimento de seu carnaval de rua. É então urgente uma reflexão por parte da sociedade como um todo, dos setores produtivos, dos movimentos culturais e do poder público sobre a questão.

Ah! Vamos desadormecer o nosso carnaval e quem sabe então cantar “Voltou o sonho, então, ao coração / É nossa manhã, tão bela afinal / Manhã de Carnaval” (trecho da música Manhã de Carnaval, célebre na voz de tantos intérpretes). Sim, há de haver as manhãs de domingo ensolaradas com foliões vestidos a caráter a festejar a alegria do carnaval. Haverás de passar também pelos salões regados a confetes e serpentinas, a sua música irradiante, seus foliões enfeitados de Arlequins, Colombinas e Pierrôs, Odaliscas, Havaianas e por aí vai, a embalar os sonhos dos casais – amantes eternos e amores de carnaval.

Agildo Galdino Ferreira é Membro da Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras

 

Be the first to comment on "CARNAVAL, símbolo de nossa alegria."

Leave a comment

Your email address will not be published.


*