Cultura pode ser um grande negócio

Pernambuco é um Estado riquíssimo em cultura, tanto a popular, absolutamente inigualável, em diversidade e qualidade, quanto a erudita. Em eventos, basta citar o Carnaval, a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, o São João. Em História, aí ninguém nos alcançará jamais. Aqui começou o País. O sentimento de pátria nasceu a partir do embate que culminou na expulsão dos holandeses da Companhia das Índias Ocidentais, no século XVII. E prosseguiu nas revoluções libertárias, cada uma delas legando não apenas registros de orgulho mas deixando para os empreendedores do futuro farto material para utilização comercial.

Neste momento mesmo, Pernambuco comemora, sem dar a devida importância, os 200 anos da formação da Junta de Goiana. Um governo independente do absolutismo comandado pelo príncipe regente, o futuro D. Pedro I. Que era representado em Pernambuco pelo truculento general Luiz do Rego, algoz dos revolucionários de 1817. Pois bem. Depois de atacar as tropas de Luiz do Rego, a Junta de Goiana assinou um tratado de paz, chamado Convenção de Beberibe, em outubro de 1821. Em decorrência dele, Luiz do Rego foi expulso e formou-se um governo constitucionalista, independente de D João VI e D. Pedro. Pernambuco foi a única CULTURA PODE SER UM GRANDE NEGÓCIO província a aderir ao constitucionalismo da Revolução do Porto. A independência não significou, no caso, a formação de um país, mas a libertação do absolutismo.

Os eventos são exceção. Ganharam estruturas profissionais, transformaram-se em grandes fontes de receita. Bom lembrar que esse processo começou no Agres – te, com a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém e com a transformação das festas juninas em eventos de massa, na Caruaru da Gente de Zé Queiroz.

Existem tentativas, iniciadas também no Agres – te, acompanhadas por Olinda, depois outras cidades, visando transformar talento em receita. Avançamos muito nisso, embora ainda de forma precária e insuficiente. Que o diga a situação econômica da grande maioria dos artistas e artesãos.

Já a exploração econômica do rico legado histórico e social, podemos dizer, permanece na estaca zero. É um filão a ser explorado, mas a estrada é tão longa e difícil que os empreendedores culturais preferem desconhecer o assunto para não amargar prejuízos.

Porém, fica o alerta. Falta no mundo político e social quem ouse se fantasiar de D Quixote para empunhar essa bandeira.

Por que não eu? Já tenho outras bandeiras para empunhar, tentar tudo é não fazer nada. Mas estou a postos para apoiar, inclusive através do nosso jornal O PODER (www.jornalopoder.com.br).

Repetindo, a História não produz apenas um legado de glórias. Pode significar uma herança também no sentido econômico.

José Nivaldo Junior

Historiador. Consultor em comunicação da Academia Pernambucana de Letras

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