Entendendo Melhor a Economia Colaborativa

Conforme afirmei em artigo anterior, a economia colaborativa ou economia compartilhada vem ganhando força ao redor do mundo a partir da expansão dos meios eletrônicos de comunicação e, talvez por isso, muita gente ache que é um tipo de economia ligado apenas à aplicativos e tecnologias na área da informática. Na realidade o conceito de Economia Compartilhada é quase tão antigo quanto a própria humanidade apesar de que o termo passou a ser utilizado mais frequentemente após o início deste século com o desenvolvimento das novas tecnologias da informação, do crescimento e expansão das redes sociais e do surgimento de incontáveis plataformas online que possibilitaram o compartilhamento de informações.

O termo vem do inglês sharing economy e designa uma prática antiga, e ainda muito usual na atualidade, de dividir o uso ou a compra de bens e serviços. O que acontece é que este procedimento é muito facilitado pelo uso de aplicativos dos computadores e dos aparelhos móveis como tablets e smartphones o que possibilita uma maior interação entre as pessoas e amplia de forma significativa o espaço geográfico de convivência. Antes da comunicação digital, as pessoas compartilhavam o uso de bens, serviços e informações com pessoas de um círculo de relacionamento mais próximo, formado apenas por parentes, amigos, vizinhos, colegas de trabalho ou de profissão, e outras pessoas do seu conhecimento, dividindo com eles os custos e despesas desses procedimentos.

Hoje, o mundo é o limite. Podemos dividir o custo de uma viagem de carro com pessoas que nunca vimos antes, ou emprestar nossas casas para pessoas do outro lado do planeta. Desta forma, podemos afirmar que a economia colaborativa nada mais é do que o velho procedimento de emprestar coisas e compartilhar custos, algo que as pessoas já faziam, e continuam fazendo há milhares de anos.

Alguns setores que estudam o procedimento da economia criativa afirmam que o compartilhamento de informações e opiniões pessoais também ajudam a forjar um novo modelo social e serve como ferramenta de empoderamento e de libertação. As pessoas podem manifestar livremente a sua opinião, criticar governos, empresas, produtos e serviços, com um poder de impactar outras pessoas em qualquer parte do mundo. Isso nunca foi possível na história da humanidade e vem, realmente, transformando o mundo e os comportamentos sociais. Nada disso também é novo para as empresas, pois no mundo empresarial, há centenas de anos, os custos e despesas de um empreendimento ou de qualquer empreitada já eram compartilhados por meio da união de duas ou mais organizações através de contratos de joint ventures ou em outras formas de parcerias, visando redução de gastos e o aumento de lucros. A diferença entre os procedimentos adotados no passado e no presente está justamente no uso da TIC – Tecnologia da Informação e da Comunicação e no aumento dos relacionamentos pessoais através das redes sociais, que deram uma nova roupagem para o conceito.

Daí se pensar que a economia partilhada é exercida apenas para serviços na área de TIC. É preciso que se entenda que, neste caso, a tecnologia é um meio e não um fim. O fim é a partilha no uso de bens, serviços e informações. Na prática, emprestar nem sempre é o verbo mais conjugado na Economia Compartilhada e, por isso, não faltam críticas a startups que se colocam como parte desse modelo e que, na verdade, lucram sem de fato compartilhar nada com os usuários, como é o caso da plataforma dos serviços do Uber. Daí terem surgidos novos termos, ou contra-termos, para o conceito de economia colaborativa. Eles expressam com mais clareza estes novos tipos de atividades como sharewashing ou ridewashing, este último já utilizado para empresas de transporte como o Uber, visando dar um significado mais claro e mais adequado para o serviço de empresas que administram o compartilhamento ou a carona, que não pode, a exemplo de muitos outros, ser considerado como uma atividade de economia colaborativa.

Prof. Bento de Albuquerque
Consultor organizacional e Vice-diretor da FCAP – Faculdade de
Administração e Direito da UPE. bento@jbconsultores.com.br

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