Fatores que Contribuem para a Morte Antecipada de Empresas

Segundo pesquisa recentemente realizada pelo SEBRAE, intitulada de Estudo Econômico do APL de Confecções do Agreste de Pernambuco, a região possui mais de 18.000 unidades produtivas de confecções. Este grande complexo produtivo, cujos resultados representam mais de 5% do PIB de Pernambuco, transforma o nosso estado num dos maiores polos de fabricação de roupas do país,
ocupando mais de 100.000 pessoas e gerando grande riqueza na região.

Deste número elevado de empresas, chama a atenção, entretanto, a grande quantidade de negócios informais, que totalizam mais de 15.000 empreendimentos. O elevado nível de informalidade na
região certamente tem contribuído
de forma decisiva para o curto ciclo de vida desses milhares de micro e pequenos negócios, um período médio de existência que não supera os 5 anos, segundo este mesmo estudo. E isto me leva a pensar se é apenas a informalidade que contribui para o fechamento prematuro de tantas empresas. Certamente que não. Ela realmente é uma grande ameaça para a sobrevivência das mesmas, pois impede o acesso a créditos e financiamentos bancários e também cria obstáculos para a obtenção de créditos mercantis junto a fornecedores de insumos e matérias-primas. O que acontece na prática é que essas empresas são sempre obrigadas a recorrerem a intermediários, sempre pagando mais caro pelas mesmas mercadorias, além de operarem com agentes financeiros também informais, pagando juros elevadíssimos e aumentando de forma acentuada a sua dependência.

Mas esta não é a única ameaça à sobrevivência da empresa e à continuidade dos negócios. De acordo com outros estudos, muitos deles realizados pelo próprio SEBRAE e por organizações similares, há outros aspectos que prejudicam o bom funcionamento de um negócio. Entre eles, destacam-se alguns fatores inerentes ao ambiente externo, como a alta carga tributária que que é imposta às empresas formais, a burocracia ineficaz que retarda bastante o encaminhamento de ações junto a órgãos governamentais, além da concorrência predatória.

E há também problemas que poderiam ser evitados no ambiente interno e que caracterizam uma gestão ineficiente dos empresários, como a ausência de controles financeiros e de fluxo de caixa, o que os leva a gastar mais do que a capacidade da empresa, a misturar dinheiro do negócio com o da família, a aumentar os estoques, a superestimar as suas necessidades de tecnologia e, inclusive, a imobilizar o capital de giro da empresa com investimentos em instalações próprias e em imóveis particulares. E isto sem falar na incompetência que se verifica na gestão de custos e na formação de preços, no controle de qualidade dos produtos, nas ações de marketing, no conhecimento da legislação do setor e na atualização dos controles administrativos e operacionais.

O detalhe é que o mercado não para, a fim de que o empresário possa corrigir os erros e voltar a atuar com mais eficiência e eficácia. Enquanto isso, as empresas vão fechando e seus espaços sendo ocupados por outras. Esta é a lei de mercado.

Prof. Bento de Albuquerque
Consultor organizacional e Vice-diretor da FCAP – Faculdade de
Administração e Direito da UPE. bento@jbconsultores.com.br

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