Lembra-te da Páscoa!

Em meio à animação de um feriado prolongado e ao mito dos coelhinhos que põem ovos coloridos de chocolate e deixam as crianças em polvorosa, parei para pensar no real sentido da Páscoa em nossas vidas. Aliás, essa minha reflexão não é de hoje.

Desde pequena, mesmo encantada com os tais ovos de chocolate de papel brilhante, sempre me perguntei como o tal simpático coelhinho ganhou tanta simbologia e foi parar nessa história. A gente vai crescendo e passa a questionar certas coisas. Primeiro, aos nossos pais, coitados! Imagina como explicar coelhinhos que botam ovos ou citar a simbologia da fertilidade? Deixa pra lá! E depois, a conversa é olhos nos olhos diante do espelho ou com aquela nossa voz interior.

Quando chegamos à fase das autorreflexões é que compreendemos a dificuldade de obter certas respostas. Mas aí é que ta, a mágica! O segredo não é a resposta em si, mas está contido em tudo que passamos a avaliar, pesar e ponderar entre o questionamento e a resposta. Aquela coisa da jornada, lembra?

E deixando um pouco as indagações infantis e partindo para o sentido tradicional, a Páscoa – Pessach, em hebraico – significa passagem. Para os judeus, ela representa a travessia do mar Vermelho, quando o povo liderado por Moisés passou da escravidão do Egito para a liberdade na Terra Prometida. Para os cristãos, ela representa a passagem de Cristo pela morte, sua ressurreição. Se avaliarmos direitinho, tanto na tradição judaica quanto na cristã, Páscoa é renascimento, é vida nova. Seja o recomeço livre dos grilhões da escravidão para um povo, seja ao vencer a morte que até então era o ponto final da existência. Renascimento. E você, já parou pra pensar em renascer?

E aqui não estou falando num sentido religioso dessa ou daquela doutrina. Estou falando do real sentido guardado nesse período tão especial e que se apossa de nossos corações se dermos um pouquinho de espaço. Estamos prontos para termos uma vida genuinamente nova? Ou estamos fadados à “escravidão” de uma vida que não queremos e que não nos satisfaz, seja sob o aspecto que for? Acreditamos na ressurreição ou viveremos pra sempre em nosso confortável túmulo existencial particular?

Tanta gente morreu e nem percebeu. E não é vergonha nenhuma se dar conta disso. Já aconteceu comigo! Imagine o que te faz feliz, o que te faz vibrar, o que te preenche a alma, reacenda a luz da tua existência e lute por isso! Busque o que te faz Viver com vontade! O que te faz Ser com vontade! Não passe a vida inteira acompanhando o próprio cortejo. Renasça! Para si e para o mundo. Vida Nova! E se, por acaso, um dia, os versos da tua vida se apresentarem como um anúncio do fim, lembra-te da Páscoa. Podia até parecer o fim, mas na verdade, para aqueles povos, aquelas culturas e para tanta gente no mundo inteiro até hoje, não era o fim. Na verdade, era o começo. O recomeço.

Que o renascer poético nos inunde alma em fé, em amor, em esperança e em fraternidade. Feliz Páscoa!

Vanna Sales Fernando

Escritora, Cronista e Poetisa, editora no Instagram do perfil @luzeversos Email: vannafernando@gmail.com Fone: 81. 9 9993-1556

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