MASCARADOS: DE ONTEM E DE HOJE

Vejam de que fui me lembrar durante essa quarentena do Coronavírus! Lembrei dos tempos em que as telinhas dos cinemas eram invadidas pelos filmes da era do faroeste americano. Os facínoras usavam lenços encobrindo a face para praticarem assaltos a bancos. Mas, como se vê, o mundo está mudado, confirmando o dito: o que é hoje pode não ser amanhã. Pois é, jamais passou pelo meu imaginário, nem por brincadeira, que alguém em sã consciência ousasse de entrar num banco financeiro para retirar dinheiro com o tal “adereço”, chamado hoje em dia de maneira pomposa de “equipamento de proteção individual”, escondendo o passaporte natural de entrada, o rosto. Mas com essa Covid-19 que se instalou pelo mundo afora, o tal “equipamento” que troco amiúde por máscara, como aquela usada pelo facínora, vem a mudar de status. Seu objetivo agora é nobre, ou seja, impedir que o tal Coronavírus infecte a população penetrando pela boca e narinas, haja vista ser esse vírus chegado a esses orifícios. Não importa a cor, modelo ou material, fabricação caseira ou industrial, tudo muito simples. Há quem ofereça cachecóis, lenços, ponchos e bandanas, diga-se de passagem, em padrões lindíssimos. Máscaras de seda, mostrando que o combate a esse vírus além de luxuoso também é versado na malandragem do lenço de seda, talvez tenha sido combatido outrora lá pela freguesia da Lapa no Rio de Janeiro. Mas nenhuma crítica ao uso do equipamento, por favor me entenda. Tudo isso é para nos defender do tal vírus e até de modo colorido, haja vista a infinidade de
cores inclusive com uma diversidade de preços que só vendo, tá aí na cara para se ver. Ê, minha gente, esse Coronavírus, além de tirar de campo as pessoas também gosta de passar a mão no bolsa dessas, claro que não dos pobres mortais como eu ou você. Mas as máscaras existem para todos os gostos. E sempre há quem
pague pelo luxo, mesmo nesse tempo em que, está provado, vale mais a fé. Mas voltemos ao banco. Se por acaso quisermos adentrar uma agência sem a tal máscara, alguém há de perguntar: Quem é ele? Um penetra, vai-se dizer. Ai, ai, ai! Daí a ser expulso, não custa muito, e olhe lá se o pau não quebrar antes, pois até no Planalto, o pau vai quebrar. Queira Deus, que não seja como diz o dito, nas costas… É, não dá mesmo pra imaginar, nem por sonhos, que um dia um mascarado entraria num banco e o atendente no caixa entregaria a esse a dinheirama, sem
nem sequer imposição alguma nem arma em punho, mas simplesmente “tome aí”. Depois, o mascarado sai andando tranquila e faceiramente, atravessando o salão do banco, olhando para um lado e para o outro, ocultando seu sorriso de satisfação por trás do equipamento. Na saída, até o segurança o cumprimenta com um aceno, balançando a cabeça, como a dizer: “Tudo bem?” Já que seu sorriso não pode mostrar. Não dá mesmo para imaginar que no último carnaval, nossos foliões estavam a beijar bocas e mais bocas. O “bichinho” tão pequenino, ninguém foi avisado, já
se encontrava no asfalto a pular. E como se diz, tamanho não é documento, deixa pra lá, deixa o carnaval passar. Tudo é muito simples, afinal somos parceiros de negócios. Vem você também para cá. Filas gigantescas, as pessoas
se aglomerando, uma por cima da outra. Mas como o carnaval passou, também o Coronavírus vai passar, mas só Deus para o saldo amenizar pois a irresponsabilidade fica no ar. Mas não esqueçam de organizar, de disciplinar as filas, obedecendo às recomendações técnico-cientificas. E lembrar da dignidade daqueles que têm que
enfrentar as filas, mesmo reconhecendo que nada melhor há, para alguns, que jogar conversa fora em uma fila de espera, ficar bem juntinhos, feito pombinhos. Eita! Até esqueceram o fundo eleitoral, deixaram para lá afinal está garantido dinheiro para o pleito municipal de outubro. E os eleitores? Não importa! Dá-se um jeito. Depois desse Coronavírus, teremos os políticos de sempre pelos palanques, empolgadíssimos, a esbravejar: “Mandamos esse tal de Coronavírus para a p.q.p. E viva as eleições.

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