Memorização, concentração e sucesso pessoal

Memória é registro. Uma cratera na superfície da lua, em consequência da queda de um bólide, é uma memória do acontecido. Também o é o fugaz círculo, com altos respingos, produzido na superfície oceânica, se ali cai um meteorito. Com uma diferença: no oceano, a “memória” logo desaparece, não se fixa. Memórias outras, em computadores e seres vivos, são o mesmo, com algumas adições. Tudo se inicia com uma ocorrência, que produz um efeito qualquer sobre uma superfície recipiente. É a captação ou percepção. Segue-se a fixação, que pode ser estável, como uma cratera na Lua, ou fugaz, como na superfície dos mares. Nos seres vivos, mais evidente nos animais e computadores, uma terceira etapa ganha importância: a evocação.

Para operar no mundo, qualquer sistema  auto regulável (microorganismo, planta, animal, computador, robô) necessita trazer ao foco dos seus programas pro ativos os registros úteis ao atingimento de suas metas básicas, em geral, de manutenção da unidade e do seu grupo (pessoa e sociedade, por exemplo), assim como de expansão de novas habilidades adaptativas, novos recursos informáticos, físicos e de regulagem otimal em todos os sentidos.

Quanto mais complexo um sistema auto regulável, do tipo animal por exemplo, maiores, mais refinados e mais eficazes são os programas de auto e heteroregulagem. Os sistemas mais sofisticados, como os seres humanos, possuem, como ponto supremo, um conjunto de programas heurísticos, capazes, não somente de permitir que sejam atingidas as metas da programação inata, como de que se incorporem novos programas que se revelaram úteis (aprendizado). O ápice deste conjunto de programas decisórios está num sub conjunto chamado Gerador de Impulsos Aleatórios.

Neste nível, as ações de aproximação, fuga, apropriação, estocagem, são definidas por programações que “pedem” que um número ao acaso seja gerado e, conforme o resultado, um sub conjunto de programas é posto em marcha, como solução possível de qualquer situação. Atingir, do melhor modo possível, os objetivos teleologicamente estabelecidos nos bio psico programas existentes, chama-se sucesso. Sucesso, ou êxito, é o atingimento de objetivos colimados. Caso se faça algo belo, ou aplaudido, mas que não atinja o bem procurado (por exemplo, realizar com perfeição um salto ornamental e partir o pescoço ao final), terá havido fracasso, e a ação terá sido não eficaz. Eficácia é a qualidade de atingir o que se busca.

Em termos de curto prazo, se alguém quer suicidar-se e consegue, foi eficaz no seu intento. Como ser humano total, entretanto, terá sido mal sucedido, fracassado, já que os nossos programas básicos buscam a estabilidade e o progresso da pessoa como um todo, tanto física como psicologicamente. Em termos humanos, se buscamos boa memória, memória otimal, eficaz, teremos que otimizar os três aspectos: captação, fixação e evocação. Não esquecer, mesmo querendo, um refrão de uma música, que fica nos atormentando, indica que a captação e a fixação funcionaram bem, porém a evocação não, estando em “curto circuito”, como alguém acometido de soluços. Não existem medicamentos que, atuando simplesmente no corpo, no metabolismo, incrementem a memória. Desde que alguém se alimente bem, tome bastante água, evite comer carboidratos, principalmente de molécula curta, retire o glúten da alimentação, fuja do trigo (principalmente do trigo atual, de 99% dos produtos das padarias, o Triticum Aestivum), não fume, não tome bebidas alcoólicas, faça atividades físicas diárias, não há muito mais a fazer, em termos de física (matéria e energia) para melhorar a captação e a fixação.

Os processos evocativos são, essencialmente, ocorrências informáticas, referentes a in- forma – ação, atividade de colocar forma, estrutura, dentro do conjunto de informações já existentes. O conjunto de informações, principalmente as que formam conjuntos ordenados de instruções de atingimento de objetivos (programas, sejam genéticos, sejam adquiridos), é chamado, hoje em dia, de “software”.

Os processos evocativos são, basicamente, “softwarianos”. Quanto mais conexões, principalmente emocionais, afetivas, conseguirmos fazer, em relação a conteúdos, mais fácil recupera-los, tê-los de volta à mente, nos momentos desejados. Um fato empiricamente observado é que, quanto mais espontânea e curiosa, ou excêntrica, for a associação feita, mais facilmente funcionará. Também aquelas que obedecem comparações com imagens ligadas à experiência comum, como o alfabeto, os cômodos de uma casa e, amplamente, todos aqueles artifícios chamados “processos mneumônicos”, ajudam. De grande importância é o estado geral psíquico. Quanto maior a ansiedade, a tensão voltada para o ato de evocar, mais difícil e bloqueado o mesmo se torna.Sucesso é atingir objetivos pretendidos.

Para aqueles que pretendem ter boa memória e concentração para os estudos, basta não atrapalhar o processo normal da natureza humana, que é capaz de aprender. Sem interferência nesse processo, o indivíduo será capaz de aprender o que lhe interessa, sem fazer esforço para tal. Fatores como estresse – provocado pelo medo, pela ansiedade ou excesso de cobrança, desinteresse pelo assunto e baixa auto-estima podem dificultar a concentração e memorização.

Prof. Dr. Lamartine Hollanda –

Psiquiatra, psicoterapeuta, especialista em medicina psicossomática.

Destaca-se o fato de tratar seus pacientes sem o uso de medicamentos psicotrópicos.

lamarth@uol.com.br

Nota: Este texto, especial para Moda & Negócios, foi base de palestra realizada no Instituto Jung/ Instituto de Formação da Personalidade (I.Jung/ INFOP). Pretendeu ser ponto de partida para,
aflorando alguns aspectos, inspirar à participação em outras palestras que se seguirão, com mais detalhes, incluindo as relações entre hipnose (hipnotismo) e memória, sempre em encontros
que ocorrem aos sábados, às 16 horas, à Av. Rui Barbosa, 1654 – Graças-Recife, com entrada franca.

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