Nada será como antes

Mal adentramos no século XXI e já nos pusemos a reclamar ao mundo mais liberdade e igualdade. Então de repente bate a nossa porta a pandemia da Covid-19 e nos impõe um confinamento terrivelmente doloroso, embora forçoso. E registrando até então um contingente considerável de mortes em tão pouco tempo distribuídas planeta afora.

E agora José? O que fazer? Antes de sua resposta, permita-me tecer algumas considerações. Nos anos de 1920, após ser controlada a gripe espanhola, os franceses cognominaram aquele momento de La Joie de Vivre (A alegria de viver), referindo-se à vontade do povo. Hoje digo sem sombra de dúvidas, a alegria de viver voltará, mas a atmosfera dos tempos atuais exige do mundo um redesenhar em todas as suas instâncias, depois dessa pandemia. São muitas as previsões em todas as áreas, dos modelos de negócios até à moda propriamente dita.

Hoje, a moda não é só um elemento de distinção entre indivíduos, é muito mais. É expressão de uma linguagem que transmite significados e valores culturais de uma sociedade no tempo e no espaço. Portanto, após a pandemia da Covid-19, o mundo deverá experimentar uma nova ordem de convivência com o planeta.

Quanto às consequências da pandemia do Coronavírus que apontam indistintamente para todos, não poderia ser diferente para a indústria da moda. A Covid-19 mostrou para o mundo a necessidade de refletirmos sobre nosso modo de viver e nossa maneira de interpretar a moda. Ressaltamos, no entanto, que as previsões, a que estamos assistindo muitas vezes são apenas análises momentâneas misturadas com certo desejo pessoal de quem as faz.

O tal bichinho chegou para chacoalhar mesmo o planeta e seus impactos financeiros nos negócios são facilmente perceptíveis. O turismo mundial sofreu perdas de pelo menos R$ 1,66 trilhão entre janeiro e maio conforme a Organização Mundial do Turismo (OMT). E portanto, o futuro depende das mudanças por vir e que estarão nas mãos da sociedade a exemplo de pensar em questões como circularidade e ciclo de vida dos itens de vestuário. Hoje produzimos, só no Brasil, cerca de nove bilhões de peças de roupa segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção.

Está claro que após a pandemia, haverá novas maneiras de vender roupa e as marcas vão precisar se adaptar à tecnologia online. Querendo ou não, a pandemia foi a força que impulsionou a perspectiva das atividades online de forma efetiva. A Riachuelo, por exemplo, no período de 4 a 12 de abril deste ano, registrou aumento de 124% nas vendas do e-commerce, além do crescimento de 56% no tráfego do site, em comparação ao mesmo período do ano passado. A loja da Hermes na China faturou R$ 2,7 milhões no primeiro dia pós-quarentena.

Portanto, nesse patamar dos acontecimentos pós-pandemia vai-se necessitar transformar a moda ao redor do mundo e impulsionar um estilo de vida condizente com uma nova realidade, inclusive pautado na ética. Segundo especialistas, as coisas na moda inevitavelmente irão mudar, tais como o comportamento em geral, consumo e padrão estético”. Hoje já temos empresas da moda começando por investir em roupas atemporais. Portanto, o design precisa levar em conta o ciclo de vida do produto e as diferentes relações desse produto com o usuário e o seu ambiente.

Ressaltamos que, apesar dos pesares, o confinamento ajudou a valorizar coisas realmente importantes e nos fez ver que não precisamos de tantos materiais.

Agildo Galdino Ferreira
Membro da Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, e da União Brasileiras de Escritores.

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