O Bicentenário é Logo Ali

Quando Marco Maciel, no início do século XXI defendeu a ideia, no Senado, de ser formada uma Comissão para tratar do bicentenário da Independência do Brasil, muitos riram. É muito cedo, disseram os críticos. Pois bem, o tempo passou com sua habitual ligeireza, o bicentenário está às portas e poucos se prepararam para ele. A Secretaria de Educação de Pernambuco já é uma lástima por si só. Imaginem que no ano passado, decorreram 200 anos do chamado Grito de Goiana, quando um grupo de senhores de Engenho se rebelou contra o governo absolutista de D. João VI. Na Convenção de Beberibe, os rebeldes expulsaram o governador arbitrário Luiz do Rêgo, representante da monarquia. Um pioneirismo pernambucano que deveria ser comemorado, divulgado, explicado, compreendido. Ganha um boneco de Vitalino (tenho alguns) quem mostrar o calendário de comemorações desse triste Governo de Pernambuco. Não fez absolutamente nada. Tamanha insensibilidade é um assombro.

INDEPENDÊNCIA?

Não se trata de interpretação. Muito menos de opinião. Sou a favor de comemorar o grito do Ipiranga, dado por D. Pedro, e que virou o marco histórico da independência. Sem ser. Mas é mais sábio, ao invés de contestar, aproveitar as comemorações para desenvolver o espírito crítico da juventude e informar a sociedade do verdadeiro sentido do gesto no processo da Independência. Porque, fique logo registrado, a Independência não foi um ato, foi um demorado processo.

DEMARCANDO DATAS

Apenas para facilitar a compreensão, podemos tomar como ponto de partida a chegada da Corte Portuguesa ao Brasil, em 1808. O governo do Império colonial português se instalou no Rio de Janeiro. A partir daí, Portugal era governador do Brasil.

D. João era Príncipe Regente, porque sua mãe, D. Maria I não era boa do juízo. Em 1818, dois anos após a morte da rainha, o regente foi finalmente aclamado como D. João VI. Rei do Reino Unido do Brasil, Portugal e Algarves. Pois é. Desde 1815, o Congresso de Viena, que redefiniu o mapa depois de um terremoto chamado Napoleão, reconheceu o Brasil como… Reino Unido.

Não é preciso ser especialista. Qualquer leigo é capaz de entender que um Reino Unido não é colônia. É Unido. Logo a independência existia formalmente desde 1815. É fato. Não se discute.

E O GRITO?

Em 1820, ocorreu em Portugal uma tardia Revolução Constitucionalista, cuja sede era a cidade do Porto. D João VI foi chamado de volta e deixou o primogênito como regente. Com ordem expressa para fazer a separação. O Grito de 1822 é claro: “As cortes querem nos escravizar… laços fora…” Os laços arrancados tinham as cores das Cortes Constituintes, não do Reino de Portugal

DETALHE

As cortes eram liberais. Aboliram o absolutismo e fizeram uma constituição. Porém, queriam RECOLONIZAR o BRASIL.

José Bonifácio, chamado de Patriarca da Independência, usou D. Pedro para evitar a recolonização e manter a unidade nacional. Um governante “legitimo” aqui nos trópicos, foi capaz de manter o Brasil como um só país.

D. Pedro era um autocrata arbitrário.

Na primeira ocasião, livrou-se do José Bonifácio e implantou a sua própria tirania constitucional. Pernambuco se rebelou contra. É a Confederação do Equador, cujo bicentenário ocorre daqui a dois anos. Essa é a comemoração de maior interesse para o Estado.

E DEPOIS

D. Pedro massacrou Pernambuco de todas as formas. Deveria ser sempre tratado como inimigo Nº 1 do nosso Estado.

Bem, em 1831 ele foi obrigado a bater em retirada. Deixou o filho de 5 anos. Teve o bom senso de nomear o inimigo José Bonifácio, que ele reconhecia como um homem de bem e preparado, como regente.

Foi só então que o Brasil se livrou da dinastia portuguesa.

O jovem Pedro, futuro Pedro II, esse era um brasileiro independente.

José Nivaldo Junior
Historiador e marqueteiro político.

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