O Brim e a Chita, Look Junino Fashion

O mais festivo período na região nordeste, o ciclo junino é um encontro de tradições, religiosidade, culinária, moda e musicalidade ímpar. A sonoridade do evento já é um desafio para interpretação. Três origens são explicadas – costumeiramente – para a etimologia do termo forró. A primeira delas é que viria do termo “for all” (para todos) expressão criada pelos ingleses que estiveram na região na segunda metade do século XIX, desbravando os sítios, fazendas e povoados, quando da expansão ferroviária, a partir de 1873. A Great Western fazia a implantação dos trilhos e o transporte de passageiros e cargas, ajudando a escoar os produtos agrícolas do interior de Pernambuco e do Nordeste. E nessa convivência, promoviam tocadas de sambas, utilizando acordeon, que receberia o nome de sanfona. Misturando comandantes e comandados, além da população local, o remelexo das cadeiras não fazia discriminação social, o evento era “for all”, que na linguagem matuta seria forró. A outra versão seria de origem francesa, Faux-bourdon, estilo musical, chegando no Brasil como forrobodó, expressão de origem africana. Seja como for, assumiu as variações rítmicas de xote, xaxado, baião, rasta pé etc.

Outro aspecto muito original é o vestuário do momento. No contexto feminino, a chita se popularizou desde a chegada da família real portuguesa ao Brasil, em 1808. Tecido produzido na Índia, a partir de 1600, inicialmente como forro de cama, o baixo custo de produção e o seu enigmático colorido, caíram no gosto popular e atravessou a fronteira do oceano Atlântico. As estampas florais até hoje são as preferidas das belas sertanejas que querem caprichar no look junino.

A estamparia é feita sobre o tecido conhecido como morim. Uma estampa característica de chita sobre outro produto manufaturado em tecelagem, mas que não seja morim, não é chita. Chintz é a denominação original do povo indiano.

Já para o público masculino, o padrão é o brim, também conhecido como ganga ou denim. Esse tecido tem origem na França, no século XVII na cidade de Nimes, feito de algodão, linho ou fibra sintética. Após o sucesso comercial na Europa, atravessou o oceano e chega na América, trazido por Levi Strauss, sendo vendido inicialmente como lona para exploradores no oeste americano cobrir as carroças tracionadas por cavalos, que eram utilizadas como melhor meio de transporte rural e urbano.

Próprio para o trabalho no campo, rústico, braçal, intenso, o brim é rotulado como “pau (ou melhor, pano) para toda obra”. E assim tornou-se parte imprescindível do vestuário masculino, desde o trabalho campestre até a festa rural. Homens e mulheres, adultos e crianças, caprichadamente estilizados, puxe o fole sanfoneiro, a festa já vai começar, viva São João, Antônio e Pedro, a trindade nordestina.

José Urbano

Historiador. Técnico em Educação da UFPE. Membro da ACACCIL

Be the first to comment on "O Brim e a Chita, Look Junino Fashion"

Leave a comment

Your email address will not be published.


*