O registro do tempo, no olhar da história

Nesta primeira edição de 2018, gostaria de propor aos leitores um passeio na história, tendo como tema a contagem do tempo, feita pelo uso de calendários e relógios. A palavra calendário tem a sua origem no termo em latim Calendarium, traduzido como “livro de registros”. Pesquisas arqueológicas mostram que o primeiro calendário surgiu na Mesopotâmia, berço da civilização racional, por volta de 2.700 a.C, entre os Sumérios e aperfeiçoados pelos Caldeus, povos citados no antigo testamento da bíblia Judaico-Cristã. Escritas rupestres em cavernas na África e Europa mostram a primária tentativa de contar o tempo. Na época do imperador romano Júlio César, é criado o seu próprio sistema, com um detalhe muito interessante: são treze meses, cada um com exatos 28 dias. A soma deles é de 364 dias, e o dia seguinte reservado como a homenagem universal ao deus Sol. Dessa forma era possível estabelecer o período das quatro estações: primavera, inverno, verão e outono. A compreensão desse ciclo era fundamental para a sobrevivência das pessoas a partir dos períodos propícios para a produção agrícola, vazão dos rios, secas e enchentes.

Com a oficialização do Cristianismo como única religião permitida no império romano, a partir da ordem do imperador Constantino no ano 313 d.C, a comunidade católica definiu as datas festivas no calendário, criando o modelo que conhecemos até os nossos dias, com Carnaval, Páscoa, Natal. A última alteração foi feita em outubro de 1582, pelo papa Gregório XIII, que reformou o Juliano, aquele anteriormente explicado. Os nomes foram escolhidos para homenagear mitos e governantes, a exemplo de Janeiro (Jano, deus das portas) Junho (Juno, deusa romana) Julho (Júlio César) Agosto (Augusto César) etc.

Complementar ao calendário, temos também os relógios, mecanismos que nasceram gigantescos e complexos, até serem reduzidos no ano de 1814 pelo suíço Abraham Breguet, atendendo um desejo de Carolina Murat, irmã do imperador francês Napoleão Bonaparte. Durante um século, só as mulheres utilizavam o acessório, e os homens o guardavam nos bolsos, entre nós conhecidos como de algibeiras. Em 1903, durante uma conversa num elegante café em Paris, o genial brasileiro Santos Dumont pede ao seu amigo Louis Cartier que faça um modelo para ser utilizado no pulso, estando sempre à vista, pela necessidade de controlar o tempo de voo dos seus inventos aéreos. Em março de 1904, Cartier presenteia o amigo aeronauta com um belo modelo acrescido de pulseiras de couro. A partir daí, começa a produção em escala industrial do modelo para homens e mulheres, e a popularização dos relógios pessoais. Mais do que um acessório ou máquina de precisão, existem colecionadores que possuem acervos avaliados em vários milhões de dólares de exemplares de reló- gios dos mais variados gostos.

Dessa forma, não conseguimos a ousadia de controlar, mas apenas registramos o tempo com toda a sua autonomia, parceiro imediato e balizador de toda a história da humanidade.

José Urbano

Historiador. Técnico em Educação da UFPE. Membro da ACACCIL

Be the first to comment on "O registro do tempo, no olhar da história"

Leave a comment

Your email address will not be published.


*