Odontologia do Sono- TRATAMENTO DE RONCO E APNEIA

sono e os sonhos despertam muitas curiosidades e são uns dos mais antigos enigmas da civilização humana… tanto que, desde a pré-história, o homem busca explicações para esse fascinante mistério envolvendo esses mecanismos. Por definição, o sono refere-se a um estado fisiológico temporário, imediatamente reversível, caracterizado pela supressão da vigília e da interação sensitiva e motora com meio ambiente. Precisamos do sono para inúmeras funções fisiológicas como adaptativa, proteção, recuperativa e restaurativa de energia, homeostase e reparo celular, limpeza de substâncias neurotóxicas, manutenção da vida.

Entretanto, muitas doenças do sono acometem grande parte da população mundial, e como é de se esperar, noites mal dormidas podem trazer diversos problemas à saúde. A Apneia Obstrutiva do Sono destaca-se como um dos distúrbios mais frequente, caracterizado por eventos respiratórios anormais como: diminuição ou parada completa do fluxo aéreo pelas narinas e boca durante o sono, microdespertares e fragmentação do sono que pode acarretar em inúmeros problemas de saúde e psicossociais para os pacientes envolvidos.

Tem sido demonstrado que a sua etiologia é multifatorial e diretamente ligada ao aumento da resistência e obstrução da via aérea superior, determinados por fatores de risco neuromusculares e não-neuromusculares. Os fatores anatômicos de risco reconhecidos que contribuem para o aumento da resistência à via aérea superior incluem as deformidades dentofaciais como: deficiência mandibular (queixo pra trás), retrusão bimaxilar (face encurtada), céu da boca estreito, tamanho e posição da língua, obstrução nasal devido a desvio de septo ou patologias nas conchas nasais; hipertrofias das amígdalas ou até mesmo acúmulos de gordura ao redor do pescoço relacionados à obesidade.

Em longo prazo, a apneia pode predispor às comorbidades que incluem a hipertensão arterial, infarto agudo do miocárdio, hipercapnia, vasoconstrição pulmonar, alterações no metabolismo glicogênico, sonolência diurna excessiva, diminuição na qualidade de vida de forma geral e disfunções cognitivas como: memória, aprendizado e dificuldades em atividades diurnas. Depressão, mudanças de personalidade, perda da capacidade intelectual e hipertensão sistêmica são outras manifestações clínicas comumente associadas.

O diagnóstico preciso da apneia também é multidisciplinar baseado no histórico clínico e exame físico; e alguns exames como polissonografia noturna, endoscopia fibroscópica, avaliação radiográfica ou tomográfica – tudo isso para mapear a arquitetura do sono e identificar possíveis locais de obstruções e seus fatores de risco. Como formas de tratamento da apneia, são reconhecidas as terapias: clínicas, cirúrgicas e a associação de ambas. As medidas clínicas incluem redução de peso corporal total, pressão positiva contínua de ar (CPAP – continuous positive airway pressure), e tipos específicos de aparelhos intra-orais (AIO).

O CPAP ainda é considerado a modalidade mais extensamente estudada e portanto o padrão ouro para tratamento de apneia. Entretanto, há uma resistência muito grande por parte dos pacientes diminuindo assim o percentual de adesão em longo prazo. Nesse sentido se destacam os aparelhos intra-orais, confeccionados por dentistas especialistas para reposicionar a mandíbula e língua a fim de aumentar a passagem de ar pela via aérea durante o sono e impedir obstruções. Esses aparelhos intra-orais ainda possuem a vantagem de não serem invasivos, fáceis de usar e transportar, custo baixo e principalmente, muito eficazes para casos bem selecionados.

Como técnicas cirúrgicas para tratamento da apneia atualmente destaca-se o avanço do esqueleto facial através da cirurgia ortognática por meio do avanço maxilomandibular e mento (queixo) que aumenta o calibre da região faríngea pelo avanço e elevação dos tecidos moles adjacentes à mandíbula, maxilas,
osso hióide e músculos da língua. Esse tipo de modalidade cirúrgica, quando bem indicada e conduzida, tem sido considerado a resolução mais eficaz e definitiva para o problema.

Somente uma equipe multidisciplinar pode promover uma melhor atenção ao paciente com apneia. Devido ao fato de existirem diversos fatores de risco associados com a doença, a cooperação, comunicação e o respeito mútuo entre profissionais de diversas áreas da saúde tornam-se cruciais para os cuidados da saúde desses pacientes.


Marconi Maciel, Ph.D.

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