Origem das Festas de Natal e de Ano Novo de Caruaru

O primeiro registro das comemorações do Natal e do ano novo em Caruaru data de 31 dezembro de 1800, quando José Rodrigues de Jesus já tendo transformado a fazenda num povoado, resolveu realizar no largo da primitiva capelinha da Conceição, os festejos da passagem do século XVIII para o século XIX.

Essas festas passaram a se repetir anualmente e se tornaram no maior acontecimento sociorreligioso da região, com novenário, entretenimento com zabumba, foguetório, reisado e outros. A partir dessa data o povo da redondeza pretendendo afluir para a Rua da Frente para participar das festas, dizia que ia para as “TERRAS DE ZÉ RODRIGUES”.

Nas anotações do famoso “caderno” de José Rodrigues, em poder dos descendentes da família, consta que “No ano de mil oitocentos e sete para festejos a N. Sra. fiz de despesa a saber: cera e pólvora, vinte e oito mil e centos réis, e dez mil réis que paguei ao padre Nemézio de São João Gualberto para toda a festa”

A partir de 1820, após a morte de José Rodrigues de Jesus, as festividades continuaram a se realizar, porém com a denominação mudada para “FESTA DO CARURU”. Após Caruaru ter se tornado Vila em 1848, o nome mudou para “FESTA DA MÃE DE DEUS”, permanecendo dessa forma até o final do século. No século XX, mais uma mudança, passou a ser chamada de “FESTA DA CONCEIÇÃO”. Em 10 de dezembro de 1933 surge no Jornal Vanguarda, a expressão “FESTA DO COMÉRCIO”.

Por sua vez, a primeira vez que a Igreja da Conceição foi iluminada para as festas de Natal aconteceu no ano de 1940. Essa iluminação foi possível graças aos novos geradores instalados na cidade no ano de 1939.

Em 1949, com a chegada de Dom Paulo Hipólito de Souza Libório, o primeiro bispo tentou, sem sucesso, mudar o nome para “FESTA DE AÇÃO DE GRAÇAS” e, por isso, pretendeu encerrá-la, ficando por sua ordem a igreja fechada e sem a sua já tradicional iluminação. Permanecendo assim, até o ano de 1953, embora, sem interrupção da parte profana da festa. Foi a partir dessa época, com o aumento do apoio e da participação dos comerciantes locais e dos atrativos diversionais que a denominação “FESTA DO COMÉRCIO” passou a ser usada oficialmente.

Da época áurea dos festejos, quando toda a sociedade se reunia em torno da Igreja da Conceição para celebrar mais uma edição da Festa do Comércio, quando no fim ano as cenas, hoje saudosas, se repetiam, emissoras de rádio divulgando mensagens natalinas patrocinadas pelo comércio e, nas ruas, um vai e vem sem fim de gente procurando as lojas de tecidos, sapatos e especiarias se preparando para o fim do ano. Nas casas, famílias inteiras aguardavam os parentes que moravam distante.

Nas festas os giros dos carrosséis, o piscar das luzes, o som das retretas da Nova Euterpe e Comercial, o encontro e reencontro de gerações, muitas cadeiras no contorno da praça central, barracas do Comércio Futebol Clube, do Clube Intermunicipal, do Central e de outras associações, concursos de calouros e shows com grandes nomes da música, além do famoso pastoril. Concorrido passeio no “quem-me-quer”, barracas de jogos de azar, a “Divulgadora de Anúncios” de Lorega, a magistral iluminação de Manoel Teixeira, conhecido como o “Mago da Luz” – que chegaria, pela beleza, a ser convidado para preparar a iluminação da Festa da Mocidade, uma das maiores e mais importantes do Recife – dentre outros atrativos e costumes que constituíam um cenário incomum da Festa, transformando-a numa das mais agradáveis páginas da nossa história.

Hélio Fernando de Vasconcelos Florêncio
Engenheiro civil. Pesquisador e historiador

1 Comment on "Origem das Festas de Natal e de Ano Novo de Caruaru"

  1. Muitas lembranças e saudade dessa festa. Valeu a publicação. Valeu Hélio Florêncio. Obrigado Revista Moda e Negócios, por divulgar, tão bem, a nossa Caruaru.

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