PASSOU O CARNAVAL, A MODA PEDE PASSAGEM

Eu me guardei para quando o carnaval passasse, mas não consegui me isentar de ver o desprendimento dos foliões no desabrochar da alegria pelas ruas do país afora. Indistintamente de gênero e idade vestindo fantasias as mais
inacreditáveis que se possa imaginar. As escolas de samba a desfilar na Sapucaí com enredos surpreendentes, a exemplo da Mangueira pondo na avenida um Cristo político, pobre e cercado pelos excluídos. Um Jesus periférico que retorna e novamente é crucificado pela sociedade. O Galo da Madrugada homenageando a literatura de cordel em especial os xilógrafos, Mestre Dila, J. Borges e Costa Leite. Também pudera! Moda e carnaval se misturam em manifestação e representação cultural. Pude conferir, mal terminara a folia, o pessoal da moda já se vê às voltas com o que se vai vestir nas estações que se aproximam. As questões de gênero ainda são relativamente novas na sociedade e também no mercado da moda embora sempre tenham existido, mesmo experimentando oscilações na sua aceitação e não existindo um nicho de mercado tão delimitado quanto outros segmentos da indústria da moda. O debate está aceso já há algum tempo despertando interesse e inserindo-se como um importante discurso político de liberdade, diversidade e respeito a todos. É possível perceber que, a cada coleção lançada, se atenuam os limites entre o feminino e o masculino na direção de que o fator gênero deixe de ditar o que as pessoas devem vestir. Marcas como as de Louis Vuitton e Gucci se destacaram por roupas compostas tanto para homens quanto para mulheres. Não sendo uma questão inédita para o mundo da moda, alguns estilistas e marcas internacionais sempre tiveram certa visão criativa de que cada um possa escolher seu gênero e atender a essa demanda para se adequar à nova necessidade social. Mas alto lá! Tudo antecede à famosa estilista francesa Coco Chanel – Gabrielle Bonheur Chanel – uma das principais responsáveis pela ruptura feminina com as antigas vestimentas. Ela propôs um vestir prático, confortável, com leveza e fluidez, abolindo os vestidos armados em favor de peças inspiradas no vestuário masculino, peças como blazers, calças e roupas de design mais simples. A relação de gênero com a moda está diretamente ligada a fatores socioculturais, uma vez que ambos fazem parte da identidade do indivíduo. Atualmente a moda não limita-se a produzir peças baseadas apenas nos gêneros masculino e feminino. A questão em pauta no mundo da moda é criar um conceito único: a moda agênero. Moda essa reflexo da sociedade atual onde jovens mais críticos questionam, debatem. Nilo Lima e Yágda Hissa, designers de moda, destacam: quem usa a peça é quem dita qual gênero ela terá. O objetivo é que elas não tragam modelagens trabalhadas para vestir melhor em corpos femininos ou corpos masculinos, que ela seja uma modelagem feita para todos os tipos de corpos. No cenário brasileiro, o estilista Alexander Herchcovitch considera que o tema agênero sempre esteve presente em seu trabalho. Como disse: Não penso em roupas para homem ou mulher, mas sim para uma pessoa, não importa qual o gênero dela. A moda ideal deveria ter como objetivo o bem estar pessoal, onde fosse possível usar tudo o que nos faça sentir bem e confortável.  Para concluir, entendo que quem quer empreender nesse mercado de moda agênero, deve “primeiramente pesquisar, fazer estudo das possibilidades e ter muita dedicação”. A moda é um mundo infindável de possibilidades, no qual cada um encontra um nicho em que se encaixa melhor. Agildo Galdino Ferreira Membro da Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, e da União Brasileiras de Escritores. Eu me guardei para quando o carnaval passasse, mas não consegui me isentar de ver o desprendimento dos foliões no desabrochar da alegria pelas ruas do país afora. Indistintamente de gênero e idade vestindo fantasias as mais inacreditáveis que se possa imaginar. As escolas de samba a desfilar na Sapucaí com enredos surpreendentes, a exemplo da Mangueira pondo na avenida um Cristo político, pobre e cercado pelos excluídos. Um Jesus periférico que retorna e novamente é crucificado pela sociedade. O Galo da Madrugada homenageando a literatura de cordel em especial os xilógrafos, Mestre Dila, J. Borges e Costa Leite. Também pudera! Moda e carnaval se misturam em manifestação e representação cultural. Pude conferir, mal erminara a folia, o pessoal da moda já se vê às voltas com o que se vai vestir nas estações que se aproximam. As questões de gênero ainda são relativamente novas na sociedade e também no mercado da moda embora sempre tenham existido, mesmo experimentando oscilações na sua aceitação e não existindo um nicho de mercado tão delimitado quanto outros segmentos da indústria da moda. O debate está aceso já há algum tempo despertando interesse e inserindo-se como um importante discurso político de liberdade, diversidade e respeito a todos. É possível perceber que, a cada coleção lançada, se atenuam os limites entre o feminino e o masculino na direção de que o fator gênero deixe de ditar o que as pessoas devem vestir. Marcas como as de Louis Vuitton e Gucci se destacaram por roupas compostas tanto para homens quanto para mulheres. Não sendo uma questão inédita para o mundo da moda, alguns estilistas e marcas internacionais sempre tiveram certa visão criativa de que cada um possa escolher seu gênero e atender a essa demanda para se adequar à nova necessidade social. Mas alto lá! Tudo antecede à famosa estilista francesa Coco Chanel – Gabrielle Bonheur Chanel – uma das principais responsáveis pela ruptura feminina com as antigas vestimentas. Ela propôs um vestir prático, confortável, com leveza e fluidez, abolindo os vestidos armados em favor de peças inspiradas no vestuário masculino, peças como blazers, calças e roupas de design mais simples. A relação de gênero com a moda está diretamente ligada a fatores socioculturais, uma vez que ambos fazem parte da identidade do indivíduo. Atualmente a moda não limita-se a produzir peças baseadas apenas nos gêneros masculino e feminino. A questão em pauta no mundo da moda é criar um conceito único: a moda agênero. Moda essa reflexo da sociedade atual onde jovens mais críticos questionam, debatem. Nilo Lima e Yágda Hissa, designers de moda, destacam: quem usa a peça é quem dita qual gênero ela terá. O objetivo é que elas não tragam modelagens trabalhadas para vestir melhor em corpos femininos ou corpos masculinos, que ela seja uma modelagem feita para todos os tipos de corpos. No cenário brasileiro, o estilista Alexander Herchcovitch considera que o tema agênero sempre esteve presente em seu trabalho. Como disse: Não penso em roupas para homem ou mulher, mas sim para uma pessoa, não importa qual o gênero dela. A moda ideal deveria ter como objetivo o bem estar pessoal, onde fosse possível usar tudo o que nos faça sentir bem e confortável. Para concluir, entendo que quem quer empreender nesse mercado de moda agênero, deve “primeiramente pesquisar, fazer estudo das possibilidades e ter muita dedicação”. A moda é um mundo infindável de possibilidades, no qual  cada um encontra um nicho em que se encaixa melhor. Agildo Galdino Ferreira.

Membro da Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e
Letras, e da União Brasileiras de Escritores.

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