PONTOS DE VISTA

As palavras expressam os pensamentos mais diversos da humanidade e se “cada cabeça é um mundo”, haja verbetes para explicar o inexplicável; porque também se afirma que: palavras são palavras, nada mais do que palavras.

Há pessoas que não têm a menor capacidade para se fazerem entender. Não é todo mundo que sabe transmitir exatamente aquilo que quer dizer, sendo aí onde mora o perigo, pois a má interpretação pode gerar situações embaraçosas; por isso todo cuidado é pouco, especialmente para quem fala em público e tem a incumbência de discursar em nome de um grupo, um povo, como autoridade.

Nesse último dia dedicado à Consciência Negra, escutei um pronunciamento do Vice-presidente do Brasil, em cadeia nacional apregoando que não existe racismo nessa Nação. Logo ele, de quem aprecio os comentários por serem geralmente coerentes e sensatos muito mais do que as falas improvisadas do Presidente, que não tem o dom da palavra, nem se esforça por isso.

No primeiro momento estranhei tal posicionamento, porém compreendi que ele estava fazendo uma comparação entre o problema do racismo aqui e nos Estados Unidos, onde essa prática é, sem dúvida, mais acirrada e extremista. Ele mencionou sua experiência de quando morou na América do Norte e citou algumas proibições que os indivíduos negros sofrem ali há longos anos, onde há separação em tudo e todo um sistema hostil à união das raças que só tem aumentado nos últimos dias com assassinatos em plena via pública por policiais brancos em detrimento de pessoas pretas. Com toda essa “guerra” civil, lá já tiveram um Presidente negro, enquanto aqui, nem isso. Entendi que o Gen. Hamilton Mourão usou o método comparativo, quando se faz analogias verbais para compreensões reais. Nisso ele não pecou. Por outro lado ele também utilizou sua fala como “profética”, quando se diz aquilo que se deseja como realidade. Seria bom que essa declaração fosse autêntica, mas fica muito a desejar.

Sabemos que no Brasil o racismo é velado. Faz-se que não existe, mas o inimigo está ali, bem presente, porém camuflado. Só sabe quem passa por situações constrangedoras tal sofrimento. Não há motivos pra racismo nesse país, pois a miscigenação é tão intensa que o sociólogo FHC declarou que não há raça pura no Brasil, toda família tem “um pé na senzala”.

Numa circunstância de levar vantagem, como nas cotas de universidades, muitos se inscrevem como “negro” falso.Pessoalmente entendo que o preconceito social com o “pobre” é bem mais escancarado. Um negro rico é respeitado, porém até um branco pobre é discriminado e inferiorizado.

Pessoalmente entendo que o preconceito social com o “pobre” é bem mais escancarado. Um negro rico é respeitado, porém até um branco pobre é discriminado e inferiorizado.

Conheço um caso onde crianças negras estavam numa livraria da cidade remexendo as prateleiras de livros infantis. O dono da loja mandou seu funcionário afugentar os “moleques’’; mas os meninos eram filhos de gerente de Banco e, ao saber da condição financeira deles, mudou imediatamente de tratamento.

Em resumo, todos sabemos das terríveis mazelas deixadas pela escravidão entre nós; inclusive o maior mal foi tirar do negro sua identidade; há negros que têm preconceito com irmãos de cor. Essa questão das páginas mais vergonhosas da nossa História contemporânea, pois a abolição em 1888 não faz nem 200 anos, marcou como ferro em brasa, nossas almas, mentes e corações e, sempre haverá subsídios pra comentários críticos; uma lauda é pouco espaço pra tantos assuntos correlatos.

No entanto, aconselho não se ficar remoendo casos passados sem perspectivas de transformação, pois isso fomenta a raiva, o ódio e as desavenças gratuitamente. Todo colonizador usou de crueldade inesquecível, porém tudo passa; até o Holocausto. Urge viver o presente; os afetados devem ser os melhores onde estiverem e buscar sempre oportunidades: estudar muito, trabalhar muito e bem, ocupar postos de lideranças, mesmo nadando contra a corrente; dando exemplo de honradez e inteligência; ter perseverança e determinação; provando sua capacidade e segurança sem perder tempo com histerias. Avançar e cobrar a aplicação da Lei de igualdade pra todos; denunciar sim; lutar pelo seu lugar ao sol; protestar com dignidade. Sem arruaças, nem baixarias.

“Não somos inimigos uns dos outros. Os verdadeiros inimigos são aqueles que tentam nos dividir em todos os tipos possíveis de grupos para criar guerras de gênero, raças, rendas e idades”. Ben Carson

“Aprendemos a voar como os pássaros, a nadar como os peixes; mas não aprendemos a simples arte de viver como irmãos”. Martin Luther King

Malude Maciel

ACACCIL – Cadeira 15 – Patroness: Profa. Sinhazinha

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