Potencial do Mercado LGBT no Brasil

O mercado formado pelo público LGBT no Brasil vem ganhando cada vez mais destaque e importância junto às empresas brasileiras de todos os setores de consumo. De acordo com censo do IBGE realizado em 2010, o segmento inclui mais de 18 milhões de pessoas, o que representa quase 9% da população brasileira.

Estima-se, de um lado, que esses números certamente são subestimados, já que o Brasil, a exemplo da quase totalidade dos países do mundo, ainda não inclui em seus levantamentos algumas estatísticas específicas sobre a população homossexual. No censo de 2010, ao incluir no seu questionário a pergunta “qual o grau de parentesco com o chefe da família?”, o IBGE descobriu que existem no Brasil ao menos 67,4 mil casais formados por pessoas do mesmo sexo. Estima-se, desta forma, que a população homossexual em nosso território é de muito mais de 20 milhões de pessoas e que os números oficiais sobre este segmento também são subestimados, já que nem todos se declaram como tal.

Por outro lado, estudos realizados por inúmeros institutos de pesquisa e empresas de consultoria em Marketing, indicam que este segmento de mercado movimenta atualmente mais de R$ 400 bilhões ou US$ 130 bilhões por ano no Brasil, o que é um volume bastante representativo, pois representa mais de 10% do PIB nacional. Para que se tenha um termo de comparação para estes números, o volume de negócios com este tipo de consumidor já alcança a marca de US$ 835 bilhões nos Estados Unidos, o que demonstra a sua força de consumo no mercado mundial. De acordo com estudos de diversos fundos de investimentos internacionais especializados no mercado LGBT e interessados em investir no Brasil, o potencial de expansão dos negócios neste segmento em nosso país está projetado em R$ 300 bilhões para a próxima década.

O atual otimismo com relação ao mercado LGBT se deve especialmente à configuração socioeconômica desta parte da população brasileira, que é formada predominantemente por pessoas de poder aquisitivo mais elevado. Conforme dados de uma recente pesquisa realizada por uma empresa de consultoria, 36% dessas pessoas fazem parte da classe A enquanto que 47% podem ser incluídas na classe B. Segundo estes estudos, a renda média dos casais formados por pessoas do mesmo sexo é de mais de R$ 5.200,00, quase o dobro em comparação com a média nacional.

O setor do turismo, que sempre esteve atento ao potencial de consumo dos gays, já vem tirando grande proveito deste enorme potencial de mercado. Segundo a Associação Brasileira de Turismo para Gays, Lésbicas e Simpatizantes, o atendimento a este tipo de clientes exige um atendimento diferenciado, o que se justifica plenamente pois eles estão dispostos a gastar em média R$ 35 mil por pacotes para destinos internacionais. Mas nos outros segmentos de mercado, apesar do seu elevado potencial de consumo, estas pessoas ainda precisam driblar questões como o preconceito e os estereótipos criados a seu respeito. As pesquisas indicam, na realidade, que em vez de atendimento diferenciado, o que eles desejam mesmo é a sua inclusão social.

Na realidade, mesmo com a sua grande expressividade em termos de potencial de negócios no mercado de consumo, o segmento LGBT ainda é pouco explorado e incompreendido pelas empresas brasileiras, que esbarram em todo tipo de problemas e de obstáculos para a conquista e fidelização desse perfil de clientes. São questões que vão desde o mau atendimento e total despreparo das equipes para lidar com esse público até a falta de conhecimento sobre as suas reais necessidades e demandas geradas.

Prof. Bento R. P. de Albuquerque Consultor organizacional e vice-diretor da Faculdade de Administração e Direito da UPE

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