Tecelagem nordestina, a história fio a fio

Fundada em 1918, Rio Tinto tem a aparência de uma cidade europeia mas fica na Paraíba, a cerca de 74 km quilômetros de João Pessoa. A maior fábrica têxtil da América Latina surgiu no começo do século 20, quando o empresário pernambucano Frederico João Lundgren comprou um terreno com mais de 600 quilômetros quadrados para construir o empreendimento gigantesco.

Nos anais da história, a área do município já foi disputada por franceses, holandeses e ficou mesmo com os patrícios portugueses. Foi Lundgren – nascido em Pernambuco, porém filho de um casal sueco com uma dinamarquesa – que adquiriu uma área equivalente a 600 quilômetros quadrados, localizado ao norte da capital Paraibana, e destinada a abrigar umas das maiores tecelagens da América latina. Como um empreendedor visionário, JL planejou toda a cidade, algo inédito no urbanismo do nordeste brasileiro, no início do século passado. Rio Tinto tem um modelo viário, habitacional, industrial e de convivência, extraído de cidades europeias.

A primeira indústria, antes da tecelagem, foi a olaria, para fornecer tijolos e telhas com o objetivo de erguer a cidade para os trabalhadores e em seguida a própria fábrica de tecidos. Diante de tão apurada logística, a fábrica foi inaugurada no ano de 1924, tendo para si uma ferrovia particular para escoar a produção, como também uma usina termoelétrica, para gerar energia tanto para a cidade quanto para os trabalhos da referida indústria.

Para o conforto da família do empreendedor, Lundgren ergueu um palacete de três andares ainda hoje funcional, nos arredores da sua empresa. Alguns habitantes dizem que a cidade foi erguida a partir da planta da cidade de Manchester, na Inglaterra.

No auge do seu funcionamento, operários de várias nacionalidades desenvolviam atividades na empresa, tais como franceses, japoneses, italianos e outras nações. Registros mostram que a fábrica chegou a ter 15 mil funcionários, diuturnamente. Depois do dever, a cultura era motivo de concentração de pessoas, nas confortáveis poltronas do Cine Theatro Orion, onde eram exibidos os clássicos do cinema europeu, filmes de Chaplin, O Gordo e o Magro e produções nacionais.

A Companhia de Tecidos Rio Tinto não se dedicava à estamparia, mas à produção de brim e tricoline. O sucesso industrial impulsionou a família a investir também no ramo de vendas do próprio tecido que produziam, aproximadamente 8 milhões de metros quadrados por mês, o que fez nascer as Casas Pernambucanas, com um mix de mais de mil lojas em todos os estados do Brasil, inclusive na cidade de Caruaru. Dezenas de lojas ainda rendem aluguéis. Em 1946 João faleceu e seu irmão Arthur Lundgren assumiu a empresa. O tino para os negócios continua circulando na família, tanto que, segundo Nilson Ludgren, cidadão herdeiro da família, a Rio Tinto está nos planos para ser reativada.

A soma de garra, conhecimentos, vontade de fazer, respeito às culturas, empreendedorismo e habilidades visionárias mostram a capacidade de gerar riqueza e desenvolvimento social no nordeste e demais regiões do Brasil. Uma história de sucesso, construída fio a fio em terras nordestinas.

José Urbano Historiador. Técnico em Educação da UFPE. Membro da ACACCIL

 

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