São João, O Mostro Que Nos Devora

Junho. Antigamente eram fogueiras, fogos, balões, forró. Hoje são palcos, multidões, bregas e sertanejos, que Deus nos livre e guarde. O poder público, ao mesmo tempo que salvou, destruiu o São João. Salvou, porque a festa ia se acabar.

Na sua fragilidade, nos precários arraiais de bairros, na delicadeza dos sítios. O poder público transformou o São João e salvou a festa. No mesmo decreto, acabou o antigo São João. O Romântico São João das nossas infâncias. Como tenho 70 anos, falo das infâncias de 70 anos atrás.

CRIME OU CASTIGO?

Nesse meio tempo, ajudei José Queiroz a transformar o São João de festa familiar em grande evento coletivo. Pode quem quiser se apropriar desse feito.

A verdade é:

1. Zé Queiroz trouxe a ideia.

2. MMS. Luiz Montenegro e eu abraçamos.

3. Convencemos Cleo Nicéias (Globo) Joezil Barros (Diário de Pernambuco) e Mauro Santos (Bandeirantes) a encapar o projeto.

PIONEIROS

Fomos. Criamos o São João espetáculo. A História nos atropelou. Acontece. Hoje, valem os safadões, os bells marques, os novos sertanejos, seja lá o que for isso.

O povo quer? O povo gosta? Que sejam felizes. Nós, eu no meio, fomos pioneiros.

E… Criamos um monstro que nos devora.

José Nivaldo Junior

Forrozeiro. E soltador de busca-pés.

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